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porque desejo ficar com essa imagem​

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Que temporalidade envolve o esquecimento de uma imagem e sua nova aparição? Sua reapresentação ocorre por intermédio de intenções e gestos. Dois anos após um vislumbre inicial, visitas aos ateliês, trocas de referências, ideias retomadas e novas proposições, forma-se um conjunto de trabalhos dispostos ao convívio, fruto de um desejo compartilhado.

 

As pesquisas de Nina Lins e Gabriel Pessoto encontram correspondência, em um primeiro momento, no resgate de imagens e na investigação dos seus códigos constituintes submetidos à transitoriedade entre suportes e meios de circulação. Partindo de repertórios visuais explicitamente distintos, ambos acionam arquivos físicos e digitais para presentificar referências que foram fragmentadas em seus circuitos. Em comum, há uma operação de deslocamento do que se encontra para novos contextos e possibilidades de leitura, pela qual se estremece a natureza e os valores atribuídos a essas visualidades.​​​​​​​​​​​​​​​​​​

 

Nesse encontro, uma metodologia gestual condiciona o desenvolvimento dos trabalhos a uma desaceleração da produção imagética, em processos de transposição material de múltiplas etapas.

 

Entre o píxel e a retícula, localizamos o elemento mínimo da formulação gráfica. O que é ornamental se converte elementar: como o trançado de um tricô - geralmente utilizado em repetição harmônica e vertical - que se deita ampliado para centralizar uma composição pixelada. Essa é também uma ampliação dos próprios meios investigados, em que a matriz de uma linguagem atua como código de uma outra formulação material, como a montagem cinematográfica desmembrada em outras sequências, dimensões e tempos de contato.

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Por meio de uma visada quase radiográfica, Nina e Gabriel vão ao núcleo de uma técnica para estabelecer uma relação entre os vestígios de ícones e cânones, dos ornamentos domésticos, de marcos de culturas visuais e outros aglomerados. Entram em jogo as

revistas de bordado e suportes eletrônicos, frames de filme e superfícies metálicas, padrões digitais e papel que, uma vez decodificados, atravessam percursos em direção a uma corporificação compassada.

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Experimentando diferentes escalas e volumes, o corpo é convocado a aproximações e afastamentos em que tramas e sobreposições são formadas e desfiguradas pelo olhar. Na experiência óptica da retina, as sugestões ruidosas encontram um caminho para sua

aglutinação em repertórios internalizados, mediando a espacialidade física e sua proliferação subjetiva.

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Emoldurar o espaço, imprimir no infinito.

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São esses esforços ambíguos que ganham contorno quando implicados no espaço comum. Eles partem da vontade de tramar a permanência de imagens uma vez esquecidas ou banalizadas pela repetição. O que habita nosso imaginário não deve alçar uma fixação, mas ter volatilidade suficiente para se reconfigurar ao fecharmos os olhos.

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Diogo Sofia Barros e Gabri Gregório Floriano

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